A fábrica cresceu 83% em sete meses. O desafio agora é sustentar o ritmo.
Três estações, 268 mil m² processados e uma curva de crescimento que se acelerou justamente nos últimos dois meses do período.
Preparado para Rodolpho, administrador da Pedra Lisa Mármores e Granitos.
Três estações em sequência, cada uma com um perfil bem diferente.
A chapa entra pela serraria, passa pela resinagem quando o material exige, e sai pelo polimento. A numeração aqui não é decorativa — é a ordem física em que o material atravessa a fábrica.
Serraria
Resinagem
Polimento
Julho foi o melhor mês do período nas três estações — e abril, o pior.
A produção combinada saiu de 27,7 mil m² em janeiro para 50,8 mil m² em julho. A curva não é linear: há uma queda forte em abril e uma retomada consistente a partir de maio.
A resinagem é a estação mais produtiva por hora — e a que menos roda.
Comparando metros quadrados por hora de máquina funcionando, a ordem surpreende: a resinagem lidera, o polimento vem logo atrás, e a serraria é a mais lenta — o que é natural para corte, mas a confirma como o gargalo da linha.
Onde estão as horas de máquina
| Estação | Horas | % das horas | % dos m² |
|---|---|---|---|
| Serraria (Multifio) | 2.753 | 48,4% | 39,5% |
| Polimento (Politriz) | 2.362 | 41,5% | 47,9% |
| Resinagem | 577 | 10,1% | 12,6% |
A serraria é gargalo de capacidade ou de operação?
Ela consome quase metade das horas da fábrica para entregar menos m² que o polimento. Se for limite técnico do multifio, é decisão de investimento. Se for setup, troca de fio ou espera de bloco, é decisão de processo — e muito mais barata de resolver.
As horas são de máquina ligada ou de turno disponível?
A resinagem registra 577 horas em sete meses — cerca de 82 h/mês. Se esse número for tempo de máquina em operação, existe capacidade ociosa relevante. Se for o turno inteiro disponível, a leitura de produtividade muda bastante.
Por que o polimento tem menos ordens e mais chapas?
245 ordens para 22.900 chapas (93 chapas por ordem), contra 42 na serraria. Pode ser agrupamento de apontamento, não produção real diferente — vale entender antes de comparar eficiência entre estações.
Dois granitos e três clientes explicam a maior parte da fábrica.
A concentração aparece nas duas pontas: no material que entra e no cliente que contrata. Isso simplifica a gestão, mas concentra risco — qualquer oscilação nesses poucos nomes se sente na fábrica inteira.
Material processado
Destino da produção
1,01% de retrabalho no polimento. É um número bom — e é o único que temos.
O polimento é a única estação que hoje registra retrabalho e metro quadrado acabado. Serraria e resinagem não apontam esses campos, o que deixa uma parte da linha sem indicador de qualidade.
Serraria e resinagem medem retrabalho?
Os campos aparecem vazios. Sem esse dado, não dá para saber se a qualidade dessas etapas está boa ou se simplesmente não está sendo apontada — e retrabalho não medido vira custo invisível.
O m² acabado também vale para as outras estações?
Só o polimento registra. Se serraria e resinagem passarem a apontar, a fábrica ganha uma medida real de quanto material entra e quanto sai pronto em cada etapa.
O retrabalho é reprocesso ou refino planejado?
As operações "Retrabalho Levigar" e "Retrabalho Lustrar" somam quase mil m². Vale distinguir o que é correção de defeito do que é etapa prevista do acabamento — são coisas diferentes na hora de medir qualidade.
Metade do custo indireto está na serraria.
Acumulado de janeiro a junho: depreciação, energia, manutenção, mão de obra e uso e consumo, distribuídos por estação.
Por natureza
| Natureza | Valor | % do indireto |
|---|---|---|
| Mão de obra | R$ 424.838 | 40,0% |
| Energia | R$ 216.188 | 20,3% |
| Depreciação | R$ 155.721 | 14,6% |
| Manutenção | R$ 136.861 | 12,9% |
| Uso e consumo | R$ 129.341 | 12,2% |
A fábrica cresceu 83%. O faturamento, 12%.
Cruzando este relatório com o diagnóstico financeiro do mesmo período, aparece uma divergência que merece explicação: entre janeiro e julho, a produção subiu 83,2% (de 27,7 mil para 50,8 mil m²), enquanto a receita subiu 11,6% (de R$ 702,8 mil para R$ 784,3 mil).
Isso não significa necessariamente um problema — existem várias explicações possíveis, e todas são verificáveis: mudança de mix (mais serviço de serrada, que tem preço por m² menor, e menos polimento completo), aumento da produção própria (11,4% do volume vai para a Pedra Lisa e vira estoque, não receita imediata), defasagem entre produzir e faturar, ou reajuste de tabela que não acompanhou o volume.
O ponto de convergência mais claro está em abril: foi o pior mês da produção (queda de 26,5%) e também o pior mês do financeiro (a despesa operacional consumiu 99% da receita). Os dois relatórios contam a mesma história naquele mês, o que reforça que vale descobrir o que aconteceu.
Um segundo cruzamento, este apenas como lembrete de verificação: Território, Bastone e Planeta G aparecem entre os maiores volumes de produção do período e também na lista de títulos vencidos em aberto de julho. Antes de tratar como inadimplência, vale conferir com o financeiro se não é simplesmente baixa não registrada — clientes desse porte operacional dificilmente param de pagar sem aviso, e erro de conciliação é a explicação mais comum.
O que precisa ser levantado antes da próxima rodada.
Custo bloco a bloco pelos apontamentos
O próximo passo natural: vincular o custo de cada apontamento de produção ao bloco de origem. É o que permite saber a margem real por material — hoje sabemos quanto a fábrica produz, mas não quanto cada bloco custa até virar chapa acabada.
Fechar o custo indireto de julho
Mão de obra e energia do mês ainda pendentes. Sem isso, julho — o melhor mês de produção do período — fica sem contrapartida de custo, e a série de sete meses não fecha.
Identificar a causa da queda de abril
Queda simultânea nas três estações aponta para causa comum. Parada, falta de bloco, ou calendário — a resposta muda o que se pode prometer de capacidade para o resto do ano.
Padronizar o apontamento de retrabalho e m² acabado
Hoje só o polimento registra. Estender para serraria e resinagem dá visibilidade de qualidade na linha inteira, sem investimento — é mudança de processo de apontamento.
Explicar a diferença entre produção e faturamento
83% contra 12% é uma distância grande demais para ficar sem resposta. Cruzar volume produzido, tabela de preço por operação e produção própria resolve a dúvida.
Diagnosticar a serraria
Maior fatia de custo indireto, maior consumo de horas, menor produtividade. Antes de pensar em investir em capacidade, entender se o limite é técnico ou de processo.