Pedra Lisa Mármores e Granitos
Relatório de produção · Jan–Jul 2026

A fábrica cresceu 83% em sete meses. O desafio agora é sustentar o ritmo.

Três estações, 268 mil m² processados e uma curva de crescimento que se acelerou justamente nos últimos dois meses do período.

Preparado para Rodolpho, administrador da Pedra Lisa Mármores e Granitos.

268.676 m²
Produção total no período
47.152
Chapas processadas
805
Ordens de produção
+83,2%
Crescimento de janeiro a julho
01 — A linha

Três estações em sequência, cada uma com um perfil bem diferente.

A chapa entra pela serraria, passa pela resinagem quando o material exige, e sai pelo polimento. A numeração aqui não é decorativa — é a ordem física em que o material atravessa a fábrica.

Estação 01

Serraria

Multifio Hedel
106.125
Chapas18.541
Ordens440
Horas2.753
Produtividade38,55 m²/h
Estação 02

Resinagem

Linha de resinagem
33.765
Chapas5.711
Ordens120
Horas577
Produtividade58,54 m²/h
Estação 03

Polimento

Politriz MGM
128.785
Chapas22.900
Ordens245
Horas2.362
Produtividade54,53 m²/h
Leitura: a resinagem não é uma etapa obrigatória para todo material — processa 33,7 mil m² contra 106 mil da serraria. Isso é esperado (só alguns granitos e mármores precisam de resina), mas significa que ela opera com um regime de horas muito menor que as outras duas.
02 — Volume

Julho foi o melhor mês do período nas três estações — e abril, o pior.

A produção combinada saiu de 27,7 mil m² em janeiro para 50,8 mil m² em julho. A curva não é linear: há uma queda forte em abril e uma retomada consistente a partir de maio.

0 10k 20k 30k 40k 50k JANFEVMAR ABRMAIJUNJUL 31,6k 50,8k
Total da fábrica Polimento Serraria Resinagem
+96,4%
Polimento · jan → jul
+75,6%
Serraria · jan → jul
+64,2%
Resinagem · jan → jul
−26,5%
Queda de abril vs. março
A confirmar com a produção: abril cai 26,5% contra março, nas três estações ao mesmo tempo. Queda simultânea normalmente aponta para causa comum — parada de manutenção, falta de bloco, feriados, ou menos dias úteis — e não para um problema de uma máquina específica. Vale identificar qual foi, porque abril também foi o pior mês do resultado financeiro.
03 — Produtividade

A resinagem é a estação mais produtiva por hora — e a que menos roda.

Comparando metros quadrados por hora de máquina funcionando, a ordem surpreende: a resinagem lidera, o polimento vem logo atrás, e a serraria é a mais lenta — o que é natural para corte, mas a confirma como o gargalo da linha.

Resinagem
58,54 m²/h · 577 horas
Polimento
54,53 m²/h · 2.362 horas
Serraria
38,55 m²/h · 2.753 horas

Onde estão as horas de máquina

EstaçãoHoras% das horas% dos m²
Serraria (Multifio)2.75348,4%39,5%
Polimento (Politriz)2.36241,5%47,9%
Resinagem57710,1%12,6%
A confirmar

A serraria é gargalo de capacidade ou de operação?

Ela consome quase metade das horas da fábrica para entregar menos m² que o polimento. Se for limite técnico do multifio, é decisão de investimento. Se for setup, troca de fio ou espera de bloco, é decisão de processo — e muito mais barata de resolver.

A confirmar

As horas são de máquina ligada ou de turno disponível?

A resinagem registra 577 horas em sete meses — cerca de 82 h/mês. Se esse número for tempo de máquina em operação, existe capacidade ociosa relevante. Se for o turno inteiro disponível, a leitura de produtividade muda bastante.

A confirmar

Por que o polimento tem menos ordens e mais chapas?

245 ordens para 22.900 chapas (93 chapas por ordem), contra 42 na serraria. Pode ser agrupamento de apontamento, não produção real diferente — vale entender antes de comparar eficiência entre estações.

04 — Mix e concentração

Dois granitos e três clientes explicam a maior parte da fábrica.

A concentração aparece nas duas pontas: no material que entra e no cliente que contrata. Isso simplifica a gestão, mas concentra risco — qualquer oscilação nesses poucos nomes se sente na fábrica inteira.

Material processado

Granito Preto São Gabriel129.039 m² · 48,0%
Granito Verde Pérola69.030 m² · 25,7%
Granito Branco Itaúnas19.298 m² · 7,2%
Granito Branco Siena12.647 m² · 4,7%
Demais materiais38.662 m² · 14,4%

Destino da produção

Bastone61.558 m² · 22,9%
Território46.303 m² · 17,2%
AML Stones43.701 m² · 16,3%
Pedra Lisa (produção própria)30.730 m² · 11,4%
Sugran27.919 m² · 10,4%
Demais clientes58.464 m² · 21,8%
Leitura: Preto São Gabriel e Verde Pérola somam 73,7% de todo o material processado, e os três maiores clientes respondem por 56,4% do volume. Para uma indústria em expansão, essa concentração é uma faca de dois gumes: dá escala e previsibilidade de processo, mas deixa a fábrica exposta à agenda de poucos parceiros.
Ponto de atenção operacional: a Sugran aparece com 27,9 mil m² na serraria e nenhum volume no polimento ou na resinagem. Se ela contrata só o serviço de serrada, está tudo certo. Se deveria haver etapas seguintes, pode ser material parado entre estações — vale uma checagem rápida com a produção.
05 — Qualidade

1,01% de retrabalho no polimento. É um número bom — e é o único que temos.

O polimento é a única estação que hoje registra retrabalho e metro quadrado acabado. Serraria e resinagem não apontam esses campos, o que deixa uma parte da linha sem indicador de qualidade.

1,01%
Retrabalho no polimento · 1.298 m² sobre 128.785 m²
53.677 m²
Metro quadrado acabado no polimento
2,4×
Passagens por m² acabado (produção total ÷ acabado)
Leitura: cada metro quadrado que sai acabado do polimento passou, em média, por 2,4 operações diferentes (levigar, polir, lustrar, escovar). Isso é normal para acabamento, mas é um dado importante de capacidade: a politriz entrega 53,7 mil m² prontos, não 128,8 mil — quando for dimensionar capacidade ou prometer prazo, o número que vale é o acabado.
A confirmar

Serraria e resinagem medem retrabalho?

Os campos aparecem vazios. Sem esse dado, não dá para saber se a qualidade dessas etapas está boa ou se simplesmente não está sendo apontada — e retrabalho não medido vira custo invisível.

A confirmar

O m² acabado também vale para as outras estações?

Só o polimento registra. Se serraria e resinagem passarem a apontar, a fábrica ganha uma medida real de quanto material entra e quanto sai pronto em cada etapa.

A confirmar

O retrabalho é reprocesso ou refino planejado?

As operações "Retrabalho Levigar" e "Retrabalho Lustrar" somam quase mil m². Vale distinguir o que é correção de defeito do que é etapa prevista do acabamento — são coisas diferentes na hora de medir qualidade.

06 — Custos indiretos

Metade do custo indireto está na serraria.

Acumulado de janeiro a junho: depreciação, energia, manutenção, mão de obra e uso e consumo, distribuídos por estação.

R$ 1.062.948
Custo indireto acumulado · jan a jun
R$ 177.158
Média mensal no período
Valores prévios: estes números ainda não estão fechados. O custo indireto de julho não entra no acumulado porque mão de obra e energia do mês seguem pendentes de apuração. Trate como ordem de grandeza para decisão, não como número contábil final.
Serraria
50,8% · R$ 540.453
Polimento
38,4% · R$ 408.265
Resinagem
10,7% · R$ 114.230

Por natureza

NaturezaValor% do indireto
Mão de obraR$ 424.83840,0%
EnergiaR$ 216.18820,3%
DepreciaçãoR$ 155.72114,6%
ManutençãoR$ 136.86112,9%
Uso e consumoR$ 129.34112,2%
Leitura: a serraria concentra 50,8% do custo indireto mas entrega 39,5% dos metros quadrados — a única estação em que a fatia de custo é maior que a fatia de produção. Some a isso o fato de ser a mais lenta em m²/h e ela se confirma como o ponto da linha que mais merece atenção nos próximos meses.
07 — Produção e financeiro

A fábrica cresceu 83%. O faturamento, 12%.

Cruzando este relatório com o diagnóstico financeiro do mesmo período, aparece uma divergência que merece explicação: entre janeiro e julho, a produção subiu 83,2% (de 27,7 mil para 50,8 mil m²), enquanto a receita subiu 11,6% (de R$ 702,8 mil para R$ 784,3 mil).

Isso não significa necessariamente um problema — existem várias explicações possíveis, e todas são verificáveis: mudança de mix (mais serviço de serrada, que tem preço por m² menor, e menos polimento completo), aumento da produção própria (11,4% do volume vai para a Pedra Lisa e vira estoque, não receita imediata), defasagem entre produzir e faturar, ou reajuste de tabela que não acompanhou o volume.

O ponto de convergência mais claro está em abril: foi o pior mês da produção (queda de 26,5%) e também o pior mês do financeiro (a despesa operacional consumiu 99% da receita). Os dois relatórios contam a mesma história naquele mês, o que reforça que vale descobrir o que aconteceu.

Um segundo cruzamento, este apenas como lembrete de verificação: Território, Bastone e Planeta G aparecem entre os maiores volumes de produção do período e também na lista de títulos vencidos em aberto de julho. Antes de tratar como inadimplência, vale conferir com o financeiro se não é simplesmente baixa não registrada — clientes desse porte operacional dificilmente param de pagar sem aviso, e erro de conciliação é a explicação mais comum.

+83,2%
Produção · jan → jul
+11,6%
Receita · jan → jul
11,4%
Do volume é produção própria (não vira receita de serviço)
08 — Próximos passos

O que precisa ser levantado antes da próxima rodada.

01

Custo bloco a bloco pelos apontamentos

O próximo passo natural: vincular o custo de cada apontamento de produção ao bloco de origem. É o que permite saber a margem real por material — hoje sabemos quanto a fábrica produz, mas não quanto cada bloco custa até virar chapa acabada.

02

Fechar o custo indireto de julho

Mão de obra e energia do mês ainda pendentes. Sem isso, julho — o melhor mês de produção do período — fica sem contrapartida de custo, e a série de sete meses não fecha.

03

Identificar a causa da queda de abril

Queda simultânea nas três estações aponta para causa comum. Parada, falta de bloco, ou calendário — a resposta muda o que se pode prometer de capacidade para o resto do ano.

04

Padronizar o apontamento de retrabalho e m² acabado

Hoje só o polimento registra. Estender para serraria e resinagem dá visibilidade de qualidade na linha inteira, sem investimento — é mudança de processo de apontamento.

05

Explicar a diferença entre produção e faturamento

83% contra 12% é uma distância grande demais para ficar sem resposta. Cruzar volume produzido, tabela de preço por operação e produção própria resolve a dúvida.

06

Diagnosticar a serraria

Maior fatia de custo indireto, maior consumo de horas, menor produtividade. Antes de pensar em investir em capacidade, entender se o limite é técnico ou de processo.